A Bissexualidade

Algumas pessoas sentem-se atraídas ora por homens, ora por mulheres.  Pensavam ser heterossexuais ou homossexuais, com a sensação, contudo, de ser as duas coisas e nenhuma ao mesmo tempo. Se calhar há um outro conceito que combina melhor com elas: a bissexualidade. É outra possibilidade, à qual o capítulo que se segue diz respeito.

 

Bandeira do Orgulho Bissexual

  

 

 

 

O que é a bissexualidade?

 

Tal como a heterossexualidade se define como sendo a atracção exclusiva por pessoas de sexo diferente e a homossexualidade por pessoas do mesmo sexo, a bissexualidade caracteriza-se pela atracção por pessoas de ambos os sexos. À semelhança dos seus homólogos, esta orientação sexual não pode ser reduzida a uma atracção física, pois inclui os mesmos sentimentos e investimentos numa relação. Uma pessoa bissexual pode apaixonar-se por um homem ou por uma mulher e viver completamente realizada com essa pessoa.

 

Rui, 22 anos

“Considero-me bissexual. Acho tão natural amar uma mulher como um homem.”

 

À semelhança da homossexualidade, também a bissexualidade tem uma história antiga e existe de maneira mais ou menos aberta em numerosas culturas. A fim de se proteger, e visto que a homossexualidade era condenada, os bissexuais permaneceram durante muito tempo discretos acerca da ambivalência dos seus sentimentos. No entanto, tal como a homossexualidade, a bissexualidade sempre existiu. Aproveitando o movimento de afirmação homossexual também começou a afirmar-se. Os bissexuais têm de lidar quotidianamente com um preconceito com consequências pesadas nas suas vidas afectivas: a associação da bissexualidade à instabilidade.

 

Por este possuir uma ambivalência afectiva, não temos confiança suficiente para nos envolvermos com uma pessoa bissexual, partindo do pressuposto de que não reunimos condições suficientes para satisfazer as suas necessidades. No entanto, qualquer um, ainda que comprometido, pode, a qualquer altura, sentir-se tentado a “ir procurar outros sítios”, e não é por serem sensíveis aos dois sexos que os bissexuais são mais infiéis ou instáveis que os monossexuais! A fidelidade é uma opção de vida independente da identidade afectiva. Cada um é capaz de a tomar se sentir realizado numa relação.

 

 

Luísa, 26 anos

“Os bissexuais são vistos como pessoas ambivalentes, em quem não é possível confiar. Mas isso para mim não faz sentido. Que diferença faz que tenham a possibilidade de gostar tanto de homens como de mulheres! Se alguém bissexual me abandonar, será sempre por outra pessoa, que não eu. Não interessa o sexo. E se estiver comigo numa relação monogâmica estará sempre só comigo!”

 

Como posso saber se sou bissexual?

 

No início não é propriamente fácil a auto-definição como bissexual. A maior parte de nós pensou ser e/ou viver inteiramente como heterossexual ou homossexual antes de se apaixonar por alguém sexo oposto ou do mesmo sexo, respectivamente, e antes de se aperceber da sua ambivalência e questionar as suas convicções. Depois de algumas “viagens” entre a heterossexualidade e a homossexualidade, torna-se evidente que não nos conseguimos identificar totalmente com nenhum destes rótulos. Talvez, como defendem algumas teorias, os seres humanos sejam todos bissexuais sem o saber? Não obstante, esta fase de incerteza é destabilizadora e deve-se sobretudo ao tabu criado em torno desta questão e não existiria se a sexualidade humana não fosse reduzida unicamente à heterossexualidade.

 

Rui, 22 anos

“Sobre a bissexualidade, não tinha nenhuma ideia. Confesso que era um conceito que nem sequer fazia parte do meu dicionário. Ou se era uma coisa ou outra; a minha própria descoberta é que me fez acrescentar o termo.”

 

Não precisas de responder a mil e uma perguntas para saberes se és bissexual: pensa naquilo que te agrada, vê se são as raparigas ou os rapazes que te agradam, quem observas na rua, com quem fantasias, por quem já te apaixonaste… E, se os teus sentimentos não são exclusivos, tens fortes hipóteses de ser bissexual!

 

 

Se sou bissexual, o que devo fazer?

 

Tudo depende da fase que estás a passar. Para aqueles que acreditavam ser homossexuais e passaram pela angústia do coming out, foi-lhes fácil corrigir a sua identidade sexual. Como disse alguém uma vez: “ Quando conseguiste realizar a difícil tarefa de os fazer engolir que eras uma zebra, não fará muita diferença dizeres-lhes que és uma zebra azul…”. Contudo, a bissexualidade pode não ser tão fácil de aceitar quanto a homossexualidade se sempre pensámos ser exclusivamente heterossexuais. Seja como for, é preferível esperares para teres a certeza de que és bi antes de assumires esta identidade.

 

 

 

Como viver a minha bissexualidade?

 

Alguns bissexuais vão vivendo casualmente entre aventuras homossexuais e heterossexuais, outros vivem uma relação estável com uma pessoa de um dos dois sexos, outros vivem maritalmente mas com “escapadelas” ocasionais devidamente autorizadas pelo/a companheiro/a… A tua vivência não tem nada a ver com a tua identidade sexual, as mesmas alternativas são validas para homossexuais e heterossexuais. Cada qual escolhe o modo de vida que mais lhe convém, o essencial é que a relação seja construída a dois. Caso tenhas uma relação aberta, convém aplicar sempre os princípios do sexo seguro a fim de não pores em risco a tua vida nem o do/a teu/tua companheiro/a.

 

A bissexualidade começa a fazer-se ouvir e é fundamental que o movimento tome maior amplitude, que os jovens bissexuais passem a reconhecer-se mais facilmente e que a sua bissexualidade seja respeitada. É igualmente importante vencer todos os preconceitos e dar-lhes oportunidade de construírem uma relação estável se assim o desejarem, não esquecendo que isso depende, em grande parte, da confiança que depositarem neles.